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Tecnologia a serviço do esporte

Vitrine para o futebol mundial, a Copa de 2014 promete levar inovações para dentro e fora do campo

Famosa por ser um evento de proporções gigantescas, a competição tem como um de seus principais traços a adoção e o lançamento de novas tecnologias que, não seria exagero dizer, recebem boa parte da atenção antes destinada exclusivamente à bola no campo.

Investir em transmissão de dados, captação e geração de imagem, além da segurança durante o período do grande acontecimento esportivo, fazem parte das medidas necessárias para a realização da Copa, que contará com jogos de norte a sul de um país com proporções continentais.

A construção de novos espaços para sediar os jogos e a conversão de estádios tradicionais em grandes arenas com padrão Fifa são apenas algumas das providências tomadas para sediar o mundial. Confortáveis, os novos espaços em nada devem lembrar os velhos estádios com assentos de concreto, banheiros precários e acessos insuficientes para atender o público de grandes clássicos do futebol. Ao acatar o padrão Fifa, os então obsoletos espaços assumirão um perfil multimídia e poderão abrigar, posteriormente, shows e grandes espetáculos que exijam sistemas avançados de som e imagem.

Fora de campo

Na teoria, parece que nada foi deixado de fora, e o torcedor vivenciará a tecnologia empregada no momento em que colocar seus pés nas arenas, como por meio de câmeras de segurança que, em locais como o Maracanã, serão responsáveis por todo o monitoramento, das catracas até os corredores e lounges. Com a intenção de garantir o conforto e a segurança do público, as 360 câmeras estarão distribuídas entre as seis etapas de identificação para chegar ao assento marcado (portão, setor, bloco, nível, fila e cadeira).

Na arena carioca, especificamente, as imagens serão monitoradas em uma das três salas de comando. O sistema lá adotado permite controlar pontos como catracas e portões, verificar a capacidade de geradores e transformadores de energia, os níveis de reservatório de água, de iluminação e de geração de imagens dos quatro telões de LED com 98??m². Tudo isso sem deixar de lado um sistema de áudio capaz de emitir um aviso ou outro sinal sonoro apenas para um determinado setor, sem que seja ouvido em outro lado do estádio.

Contudo, inovações como reconhecimento facial estão em fase de testes e correm o risco de não estarem prontas em tempo hábil. “Por outro lado, toda a tecnologia necessária para a contenção de conflitos será entregue dentro do prazo”, analisa o professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP) Fernando Meirelles.

As câmeras de alta tecnologia não serão utilizadas apenas no Rio de Janeiro e, muito menos, somente para monitorar quem entra nos estádios. Elas também ajudarão a transportar o telespectador para dentro do campo. Apesar de não se tratar de uma novidade, a Spidercam promete surpreender ao transmitir imagens em Full HD. Instalada em 16 cabos de aço posicionados vertical e horizontalmente, ela pode girar rapidamente em 360 graus sem que haja perda de precisão e qualidade.

Devido a cortes nos orçamentos e atrasos no cronograma de entrega das obras, alguns projetos tiveram de ser deixados para trás, como o teto retrátil da Arena da Baixada, em Curitiba. Carinhosamente apelidado como “tampa do caldeirão”, sua implementação foi barrada pela Fifa.

A contenção de gastos, o respeito aos prazos e as medidas de segurança não são as únicas preocupações da confederação. Entre suas exigências estão o aproveitamento de água da chuva para irrigar campos, demais áreas verdes e higienização das arenas e a adoção de fontes de energia renováveis, como a eólica e a fotovoltaica.

Capazes de consumir menos energia do que lâmpadas comuns, LEDs serão utilizados em luminárias e na decoração de fachadas, como a da Arena Corinthians, em São Paulo, que terá o maior painel do mundo, com 170 metros de largura por 20 de altura. Ao todo 34 mil LEDs ajudarão a projetar vídeos, lances dos jogos, bem como anúncios publicitários, mesmo durante as partidas.

Além da corrida contra o tempo para que tudo seja entregue dentro do prazo estipulado, uma das maiores apreensões da Fifa diz respeito à implantação do 4G. Atrasadas, a Anatel e as operadoras estão ainda na fase de implantação de antenas e de toda a estrutura física necessária para transmissão do sinal – processo que deveria ter sido concluído e inaugurado na Copa das Confederações.

A previsão de Meirelles é de que o serviço funcione durante o evento com tráfego pontual nas cidades sedes e durante os jogos, com sinais satisfatórios minutos antes e depois das partidas. “Mas não será possível acessá-lo longe das arenas. Há a intenção de que o 4G funcione, mas não há como prever isso agora”, pondera.

Ele lembra ainda que determinados contratos e compromissos foram firmados apenas para o período da Copa, mas no caso do sistema de telefonia, por exemplo, ficaria mais barato manter a estrutura necessária para o funcionamento do 4G do que eliminá-la por completo.“A base de investimentos em tecnologia é bastante acentuada e trata-se de um legado consistente para o Brasil”, diz o diretor executivo de Consultoria da EY, Marcos Nicolas.

Dentro de campo

Os esportistas contarão com vestiários modernos e acusticamente preparados para restringir a agitação da torcida aos gramados. Além disso, o campo de futebol também é alvo de grandes inovações.

Entre aquelas confirmadas pela Fifa estão sensores que detectam a entrada da bola no gol e transmitem um sinal, por meio de um alarme sonoro, aos fones de ouvidos dos juízes. Quem fornecerá a tecnologia, que irá operar na linha do gol (TLG) será a Goal Control, empresa com sede na Alemanha e cujo desempenho foi testado durante a Copa das Confederações.

Outra novidade ficará por conta de rastreadores presentes na bola em campo. Com sensores e transmissores resistentes a impactos, o equipamento consegue indicar eventuais irregularidades dos jogadores, quando estiverem em posição de impedimento, por exemplo.

Demanda para turistas

De acordo com informações do Ministério do Turismo, são esperados 600 mil turistas estrangeiros, além dos três milhões de brasileiros que devem viajar durante os 30 dias do campeonato. Para atender a esse público, soluções foram desenvolvidas com vistas às melhorias nos sistemas de transporte e telefonia, que serão alavancados com o evento e farão parte do legado para o País.

Estudos sobre Infraestrutura Aeroportuária do próprio BNDES estimam que, se for mantido o atual nível de crescimento, devemos ter em torno de 150 milhões de passageiros nos 20 maiores aeroportos do Brasil em 2014, podendo atingir 165 milhões de passageiros até 2016, período de outro grande evento de proporção e repercussão mundial, as Olimpíadas.

O principal meio de locomoção utilizado por equipes técnicas, imprensa e torcidas entre as 12 cidades-sede brasileiras será o avião. Bem diferente das Copas da Alemanha e da África do Sul, em que a porta de entrada do país não estava a mais de 500 km das sedes. Na Alemanha, por exemplo, todas as cidades sedes estavam localizadas até 300 km de Frankfurt.

Para melhorar a qualidade de terminais obsoletos e carentes de segurança, o governo federal destinou, entre 2011 e 2014, R$ 5,5 bilhões em empreendimentos previstos para ampliar a capacidade dos 13 aeroportos considerados estratégicos e que estão sob sua administração. Além desse montante, R$ 400 milhões devem vir da iniciativa privada para modernizar as instalações do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, em Natal (RN).

Segundo a Johnson Controls Building Efficiency, empresa responsável pela projeção e instalação de sistemas de segurança integrados nos 12 estádios da Copa de 2014, além dos projetos de automação, segurança e comunicação de grandes terminais aeroviários – como Eduardo Gomes, em Manaus (AM), Pinto Martins, em Fortaleza (CE), e naquele que se tornará o maior da América Latina, Viracopos, em Campinas (SP) – o maior problema do Brasil é a falta de conexão entre os sistemas.

O diretor comercial, Cesar Almeida, afirma que, antes de tudo, é necessário que os sistemas de segurança, de comunicação, de energia e o banco de dados estejam interligados. Realidade que ainda não faz parte dos terminais brasileiros, mas que, segundo ele, deve mudar. “Os sistemas que estamos instalando nos aeroportos permitirão o que todo passageiro deseja: uma experiência de aeroporto perfeita, que oferece fácil acesso à informação de voo assim como recolhimento de bagagem sem estresse. Tudo em um ambiente confortável, conectado e seguro. São exatamente esses os fatores que farão os usuários dos aeroportos verem que as inovações feitas para a Copa serão extremamente úteis, e um dos maiores legados do evento.”

Porém, para o diretor comercial da EY, a Copa não pode ser tratada como um fim, mas sim um meio para acelerar processos necessários ao fluxo cada vez maior de passageiros, de usuários de telefonia móvel e de um público cada vez mais exigente e consumidor de tecnologia. “Trata-se de uma porta aberta para que os projetos se concretizem.”

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