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Projeto Chapada: incentivo à formação pedagógica contra a evasão

Realizado há 15 anos na Chapada Diamantina, ação surgiu da sociedade civil e já beneficiou mais de 70 mil alunos em 2012

 

Criado em 1997 por um grupo de educadores, profissionais liberais e outros membros de organizações da sociedade civil e gestores municipais, o Projeto Chapada já produziu transformações significativas nos municípios da região da Chapada Diamantina, na Bahia. Sob a estrutura de uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), o projeto é uma iniciativa que combina a formação continuada de coordenadores pedagógicos e ações de mobilização social em prol da melhoria da qualidade da educação pública nos 22 municípios em que atua.

De 2005 a 2012, a evasão escolar caiu de 8% para 1% nas séries iniciais do Ensino Fundamental, o percentual de aprovação dos alunos subiu de 80% para 94%, e 90% dos municípios atingiram a meta do Ideb(Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) em 2011.

A metodologia é direcionada à capacitação de professores, na qual diretores pedagógicos e secretários de educação são convidados a participar de uma extensa agenda de oficinas e encontros que, em 2012, reuniu 2.847 educadores de 525 escolas, beneficiando 71.764 alunos. O projeto também promove o envolvimento da comunidade local na discussão das necessidades para melhorar a qualidade do ensino e na gestão da escola, como explica Cybele Amado, diretora do Instituto Chapada de Educação e Pesquisa (ICEP), responsável pelo projeto.

“Essa grande articulação transformou radicalmente o ensino. É um modelo com resultados consistentes e que poderia ser replicado em outras regiões do País. Vivemos um momento especial no Brasil, mas o desenvolvimento pleno que buscamos depende da qualidade da educação que se oferece aos cidadãos”, afirma.

O programa de formação continuada é realizado nas redes municipais que assumem metas de educação e que promovam a democratização da leitura na Educação Infantil e Ensino Fundamental. A formação oferecida aos professores, coordenadores pedagógicos, diretores escolares e equipes técnicas municipais é realizada anualmente, com o objetivo de acompanhar a progressão tanto dos agentes, como dos estudantes beneficiados pelo programa. “O programa é divido em cinco fases de formação. Na primeira, estão os municípios que acabaram de ingressar na rede e nas seguintes os veteranos, cujo currículo de formação flexibiliza-se em função dos avanços conquistados e da autonomia na gestão da educação pelos formadores locais. O monitoramento é feito por indicadores de aprendizagem que progridem ao longo das fases”, diz.

Os bons resultados na região da Chapada Diamantina permitiram ao ICEP implementar a metodologia fora do território baiano. Ainda na fase piloto (2012-2014), o programa Via Escola está em desenvolvimento em um conjunto de escolas dos municípios de Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca e Jaboatão dos Guararapes, no Estado de Pernambuco.

O Via Escola combina o Programa de Formação Continuada e as ações de Mobilização Política para construir um pacto pela educação com os municípios parceiros e garantir a permanência dos estudantes na escola, além do desenvolvimento de competências na área de leitura e escrita. Nesse caso, o ICEP atua em três dimensões: gestão institucional, escolar e sala de aula.

“Na gestão institucional oferecemos formação continuada a todos os membros das equipes técnicas municipais, enquanto na gestão escolar o foco são os coordenadores pedagógicos e diretores escolares. Na sala de aula, a formação continuada é voltada aos professores do Ensino Fundamental I e assume como conteúdo fundante o conhecimento da alfabetização, da leitura e da produção de texto”, explica Cybele Amado.

Todas as dimensões da gestão do ICEP visam a formação de leitores e escritores de acordo com os indicadores nacionais referentes às competências em Língua Portuguesa, desenvolvidas na idade certa.

Além do programa Via Escola, o ICEP possui também o PEI (Projeto de Educação Infantil) voltado à qualificação das práticas pedagógicas das classes de quatro e cinco anos nas redes de ensino de 17 municípios vinculados ao Projeto Chapada.

Segundo a coordenadora do projeto Geovana Zen, o trabalho de formação permite que os professores passem a estudar teorias para desenvolver com mais eficácia o conteúdo utilizado em sala de aula. “O trabalho do professor na educação infantil é visto, muitas vezes, como assistencialista e menos importante. Mas eles não estão ali fazendo uma caridade. Eles precisam ser bem formados para se reconhecerem como profissionais efetivos”, afirma.

A partir de reuniões presenciais e atividades a distância, o projeto buscadebater quatro conceitos principais: a discussão sobre a rotina da classe; a organização do espaço com a proposta de criar ambientes diversificados na sala; a criação de uma biblioteca na sala e a investigação para o aprendizado da leitura.

Segundo a formadora do município de Aramari (BA), Elaine Cristina França Oliveira, a evolução dos professores ao longo do último ano foi visível. “Antes, só chegava material para o ensino fundamental e eles eram adaptados para o infantil. Esse projeto está resgatando o estudo e as demandas da educação infantil, além do mais importante, a autoestima dos professores”, conta.

Incentivo à leitura infantil

Há dois anos, o município de Jaboatão dos Guararapes (PE) aderiu ao Programa Via Escola com cinco escolas piloto e 30 escolas âncoras. A iniciativa realiza formação de gestores, professores e supervisores dos anos iniciais, visando contribuir com o processo de leitura e escrita das crianças.

No mês de novembro,estudantes da rede municipal de ensino de Jaboatão dos Guararapes receberam 600 livros de literatura infanto-juvenil para o acervo dos professores. Na entrega dos livros, os alunos puderam assistir à apresentação da Carroça dos Encantados – um espetáculo lúdico que incentiva o gosto pela leitura.

Para o secretário executivo de Educação, Francisco Amorim, a criação de parcerias com a iniciativa pública e privada permite o acesso dos gestores públicos e das crianças a metodologias de ensino que antes não eram acessíveis à população, como livros adequados e uma formação de professores voltada à alfabetização das crianças.

“Tivemos algumas escolas que quase fecharam as portas no ano passado por falta de infraestrutura. Graças a parcerias como essa, estamos conseguindo resultados qualitativos e quantitativos que nos permitem vislumbrar uma melhora das políticas públicas de ensino neste ano”, diz.

A gestora da escola, Joseânia Vasconcelos, destaca a importância da doação dos livros como forma de melhorar ainda mais a aprendizagem das crianças. “A ação norteia ainda mais os professores com relação ao ensino. É muito bom. A escola já possuía um acervo bom de livros da biblioteca e agora vai ficar melhor ainda com mais esses 600.”

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